domingo, 25 de março de 2012

Karl Marx - Parte 2


Questões relacionada ao texto:
MARX, Karl. Manifesto do Partido Comunista


Questão 1 - O que são Classes sociais?

      Na visão de Marx, as classes sociais são definidas como grandes grupos sociais originados historicamente da divisão social do trabalho, cada qual possuindo uma relação com os meios de produção, possuindo ou não uma parcela da riqueza produzida pela sociedade.Para Marx, em toda sociedade que há divisão de classes, haverá uma classe dominante, que possui os meios de produção e controla ou influência direta ou indiretamente o Estado; e uma classe dominada, que é explorada pela classe dominante e reproduz a estrutura social ordenada pela classe dominante e assim perpetua a sua exploração. [1][2] 
      No modo de produção capitalista, encontram-se duas classes fundamentais: a burguesia , detentora dos meios de produção; e o proletariado que não tem os meios de produção mas vende sua força de trabalho ao burguês como forma de sobrevivência. Para Marx os trabalhadores estariam dominados pela ideologia da classe dominante, ou seja, as idéias que eles têm do mundo e da sociedade seriam as mesmas idéias que a burguesia espalha. [1] [2]

     
Questão 2 - Quando e como surge o proletariado?

      O Proletariado é a classe da sociedade que retira sua subsistência a partir da venda de seu trabalho. O proletariado surgiu com a revolução industrial que foi provocada pela invenção da máquina a vapor, máquinas têxteis, tear mecânico, etc.
      Tais máquinas revolucionaram o antigo método de produção, já que as máquinas forneciam mercadorias melhores e mais baratas do que as produzidas pelos trabalhadores a partir dos antigos métodos. Com isso, a mão de obra e a pequena propriedade dos operários (ferramentas, teares, etc) foram sendo desvalorizadas.
      
“E assim chegamos à situação atual, em que, nos países civilizados, quase todos os ramos de trabalho funcionam com o sistema fabril e em quase todos os ramos de trabalho a grande indústria suplantou o artesanato e a manufatura. Com isso, arruinou-se cada vez mais a antiga classe média, em particular os pequenos mestres-artesãos, transformou-se completamente a antiga situação dos trabalhadores e foram criadas duas classes novas, que pouco a pouco absorveram todas as demais, a saber:
      a) A classe dos grandes capitalistas, que em todos os países civilizados já tem a posse quase exclusiva de todos os meios de subsistência, e também das matérias-primas e dos instrumentos (máquinas, fábricas) necessários à produção dos meios de subsistência. Essa é a classe dos burgueses ou a burguesia.
       b) A classe dos que não possuem absolutamente nada, que são obrigados a vender aos burgueses seu trabalho, para receber em troca os meios de subsistência necessários à sua manutenção. Essa classe denomina-se classe dos proletários ou proletariado.” [3]



Questão 3 - O que gera o movimento histórico?
     
      Segundo o texto de Marx " Todos os movimentos históricos tem sido, até hoje, movimentos de minorias ou em proveito de minorias" ou seja pata Marx somente a burguesia detinha o controle nas mudanças das relações entre as classes e para Marx, " O Movimento proletário é o movimento independente da imensa maioria em proveito da imensa maioria", Ou seja, a classe operária tem a possibilidade de posicionar-se como agente determinante do destino histórico do mundo moderno. [4]

Questão 4 - O que são forças produtivas?
   
      Um conceito que pretende exprimir, o domínio humano sobre a natureza no modo de obtenção de bens que necessitam, usando determinada tecnologia, processo e modos de cooperação, a divisão técnica do trabalho, habilidades e conhecimentos.[4]
      "... que os homens não são livres árbitros de suas forças produtivas  - base de toda sua história - pois toda força produtiva é uma força adquirida, produto de uma atividade anterior. Portanto, as forças produtivas são o resultado da energia prática dos homens, mas essa mesma energia está determinada pelas condições em que os homens se encontram colocados, pelas forças produtivas já adquiridas, pela forma social anterior a eles, que eles não criaram e que é produto da geração anterior. O simples fato de que cada geração posterior encontre forças produtivas adquiridas pela geração precedente, que lhe servem de matéria-prima para a nova produção, cria na história dos homens uma conexão, cria uma história da humanidade, que é tanto mais a história da humanidade porque as forças produtivas dos homens e, por conseguinte, suas relações sociais adquiriram maior desenvolvimento... "[5]

 Questão 5 -  O que são relações de produção?

      O  conceito de relações sociais de produção refere-se às formas estabelecidas de distribuição dos meios de produção e do produto, e o tipo de divisão social do trabalho numa dada sociedade e em um período histórico determinado. Ele expressa o modo como os homens se organizam entre si para produzir; que formas existem naquela sociedade de apropriação  de ferramentas, tecnologia, terra, fontes de matéria-prima e de energia, e eventualmente de trabalhadores; quem toma decisões que afetam a produção; como  a massa do que é produzido é distribuída, qual a proporção que se destina a cada grupo, e as diversas maneiras pelas quais os membros da sociedade produzem e repartem o produto. Na medida em que, ao produzir, os homens atuam coletivamente, cooperam.
    Ainda que a cooperação seja uma relação social de produção porque ocorre entre seres humanos, ela pode se dar tendo em vista interesses particulares, como o de aumentar a produtividade do trabalho ou a quantidade de trabalho explorado. Devido a condições socialmente estabelecidas - ou seja, em sociedades onde existem classes sociais - dá-se um acesso diferenciado, segundo o grupo social, ao produto e aos meios para produzi-lo. A distribuição - que aparece como se fosse apenas distribuição das riquezas nada tendo a ver com a produção - é, antes de mais nada: 1) distribuição dos instrumentos de produção e, 2) distribuição dos membros da sociedade pelos diferentes gêneros de produção. A quantidade de  produtos a que distintos membros de sociedades têm acesso é o resultado desta distribuição, que é parte da estrutura do próprio processo produtivo.[6] 

Questão 6 - O que é alienação e qual a sua relação com o trabalho?
      
      De acordo com o dicionário, alienação significa: “s.f. Ação de alienar: alienação de uma propriedade. / Perda da razão, loucura: alienação mental. / Estado da pessoa que, tendo sido educada em condições sociais determinadas, se submete cegamente aos valores e instituições dadas, perdendo assim a consciência de seus verdadeiros problemas. // Alienação a título gratuito, doação.” Para Marx a alienação (ou seja, esse estado mental onde a pessoa perde a consciência de seus verdadeiros problemas, tornando-se estranha a si mesma) está diretamente relacionada às condições materiais de vida, e somente a transformação do processo de vida real, por meio da ação politica, poderia extingui-lo.[7]              
      Para Marx a origem da alienação é o trabalho, pois o trabalho cria a relação social entre o trabalhador e o “dono do seu trabalho (patrão)”, tornando a relação do trabalhador com o produto de seu trabalho como algo alheio a ele, que o domina e lhe é adverso, e relaciona-se da mesma forma com os objetos naturais do mundo externo. Isso mostra a alienação do trabalhador em relação às coisas. Podemos observar ainda que a atividade do trabalhador tampouco está sobre seu domínio, ele percebe essa atividade como estranha a si mesmo, assim como sua vida pessoal, o que mostra a alienação do trabalhador em relação a si mesmo. Com isso podemos concluir que o trabalhador e suas propriedades humanas só existem para o capital. Se ele não tem trabalho, não tem salário, não tem existência. Ele só existe quando se relaciona com o capital, e como este lhe é estranho, a vida do trabalhador também é estranha para ele próprio.[8]

Questão 7 - Por que Marx vê um papel revolucionário na burguesia?
      
      Para Marx, as forças de produção do feudalismo já estavam esgotadas e novas forças estavam se desenvolvendo. A burguesia teve um papel essencial na mudança dos processos produtivos e também na organização política que colocaram fim no sistema feudal e deram início ao capitalismo.Os burgueses modificaram os modos de organização de trabalho e propriedade, modificaram a legislação feudal, acabando com as obrigações dos antigos servos e tornando-os homens livres o que, consequentemente, debilitou a aristocracia feudal e o clero. [9]
      “Vimos, pois, que os meios de produção e de troca, sobre cuja base a burguesia se formou, foram criados na sociedade feudal. Ao alcançar um certo grau de desenvolvimento, esses meios de produção e de troca, as condições em que a sociedade feudal produzia e trocava, toda a organização feudal da agricultura e da indústria, em uma palavra, as relações feudais de propriedade, deixaram de corresponder às forças produtivas já desenvolvidas. Freavam a produção em lugar de impulsioná-la... Era preciso romper essas travas, e foram rompidas. Em seu lugar estabeleceu-se a livre concorrência, com uma constituição social e política adequada a ela e com a dominação econômica e política da classe burguesa.” [10]

Questão 8 - Por que o modo de produção capitalista é transitório?
      
      O modo de produção capitalista é transitório por que manteve as velhas condições de opressão e de luta, situadas no feudalismo, somente adaptando os nomes dos opressores e oprimidos, mantendo assim a mesma luta entre as classes. Com isso o capitalismo estaria fadado ao fim a partir de uma revolução social. Essa revolução social seria liderada pelo proletariado, uma vez que, de todas as classes que lutam contra a burguesia, as camadas médias da burguesia não lutam por uma mudança social, mas sim para garantir sua própria existência, e as classes mais baixas (lumpemproletariado), em virtude de suas condições de vida estariam mais predispostos a vender-se a reação para servir as suas manobras [7].



Referências Bibliográficas


[1] QUINTANEIRO, Tania. Um toque de clássicos : Marx, Durkheim e Weber. 2.ed. ver. amp. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002. 39 - 41p
[2] http://www.culturabrasil.org/marx.htm – Acessado em 24/03/2012.
[3] http://www.moreira.pro.br/textose11.htm  – Acessado em 24/03/2012 
[4] QUINTANEIRO, Tania. Um toque de clássicos : Marx, Durkheim e Weber. 2.ed. ver. amp. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002. 32p.
[5]- MARX. Carta a Annenkov, p. 470-471. 
[6] QUINTANEIRO, Tania. Um toque de clássicos : Marx, Durkheim e Weber. 2.ed. ver. amp. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002. 32 e 33p. 
[7]  QUINTANEIRO, Tania. Um toque de clássicos : Marx, Durkheim e Weber. 2.ed. ver. amp. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002. Pag 28
[8]QUINTANEIRO, Tania. Um toque de clássicos : Marx, Durkheim e Weber. 2.ed. ver. amp. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002. Pags 49,50
[9] MARX, ENGELS. Manifesto do Partido Comunista, p.26
[10] QUINTANEIRO, Tania. Um toque de clássicos : Marx, Durkheim e Weber. 2.ed. ver. amp. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002. p. 45-47 



domingo, 18 de março de 2012

Karl Marx – Parte 1





Karl Marx – Parte 1


Questões relacionadas aos textos:
MARX, Karl. Teses sobre Feuerbach. Escrito em 1845
Disponível: http://www.marxists.org/portugues/marx/1845/tesfeuer.htm
MARX, Karl; ENGELS, Fridrich. A Ideologia Alemã.
Disponível: http://www.marxists.org/portugues/marx/1845/ideologia-alema-oe/cap4.htm#t6

1 - Quem foi Karl Marx?
Karl Marx foi um importante economista, filósofo, historiador e sociólogo alemão (na verdade, na época ainda não existia a Alemanha; o que existia era o Reino da Prússia) que viveu durante o século XIX. Nascido em 5 de maio de 1818, na cidade de Tréveris, Marx advinha de uma família de origem judaica, fato esse que impossibilitou-o de, posteriormente, seguir na carreira acadêmica.
Ele iniciou os seus estudos em 1830 no Liceu Friedrich Willhein, que ficava em sua própria cidade natal. Posteriormente foi para a Universidade de Bonn, em Berlim, para estudar direito, mas no ano seguinte transferiu-se para a Universidade de Berlim (onde Hegel foi professor e reitor; Hegel influenciou fortemente as ideias de Marx). Marx ingressou no clube dos doutores, e, depois, participou ativamente do movimento dos jovens hegelianos. Em 1841, Marx obteve o titulo de doutor em filosofia com uma tese sobre “Diferenças da filosofia da natureza em Demócrito e Epícuro”. Impedido de seguir na carreira acadêmica, Marx se tornou redator-chefe na Gazeta Renana, um jornal da província de Colônia (foi durante esse período que Marx conheceu Frederich Engels).
Em 1843 a Gazeta Renana foi fechada após publicar uma serie de ataques ao governo prussiano. Com isso Marx mudou-se para França, onde conheceu a liga dos justos (que mais tarde viraria a liga dos comunistas). Nesse período Marx conheceu Proudhon e Bakunin, e intensificou os seus estudos sobre economia política, o socialismo utópico francês e a história da frança. Ainda na França, Marx, juntamente com Engels, editou uma pequena publicação de pequena circulação que criticava duramente o regime político alemão (na época prussiano), e a pedido do governo Prussiano, Marx foi expulso da França.
Marx então volta para a Prússia, juntamente com Engels, e durante esse período a dupla realiza diversas atividades, como a criação de uma nova Gazeta Renana, e a publicação de O Manifesto Comunista, entre outros escritos. Em 1849 sua família passa por uma grave crise financeira e Marx tenta voltar a Paris, mas o governo o impede de fixar residência. Então, graças a uma arrecadação de donativos organizada por Ferdinand Lassalle, Marx e sua família conseguem ir para Londres, onde fixaram residência definitiva.
Karl Marx morreu em 1883, em Londres, dois anos após a morte de sua esposa. Em vida, Marx publicou diversas escritos, como Teses sobre Feuerbach, Manifesto Comunista, O capital, entre outros e foi influenciado por diversos pensadores e filósofos como Hegel, Feuerbach, Proudhon, entre outros.[1][2][3][4]

2 - Quem mais influenciou o pensamento de Karl Marx?
Uma das maiores influências de Marx foi Hegel – que foi professor da Universidade de Berlim, na qual Marx estudou -, com sua dialética idealista. E Logo após, por Feuerbach, com o materialismo.[4]
Marx participou de um grupo neo-hegeliano, de esquerda, que seguia e defendia os ideais de Hegel. Ele utiliza a dialética de Hegel para desenvolver a dialética de sua principal Obra, “O Capital”. [5]
A dialética hegeliana se compõe de tese, antítese e síntese. A tese é o momento da afirmação; a antítese a negação da afirmação; a síntese é a negação da negação, ou seja, é o resultado da antítese anterior, no qual suspende a oposição entre a tese e a antítese. Na relação sujeito e objeto, o sujeito é abstrato, ele se encarna na Razão. Melhor dizendo, o ser é ‘sujeito de si mesmo’, independente da existência corporal do indivíduo pensante. O ser é uma simples propriedade do pensar. A consciência é o ser, o sujeito. O ser é objeto (PLEKHÂNOV, 1972, p. 22).
Porém, após conhecer os pensamentos de Feurbach sobre o materialismo, algumas opiniões de Marx mudaram. Como exemplo, Marx continuou defendendo a filosofia de que o mundo está em constante processo devido à existência dos opostos, mas deixou de crer que o sujeito do mundo era a “Consciência Absoluta”.[6]
Em Feuerbach a essência do homem é o seu ser. O real é o sensível. A verdade reside na união de dois sujeitos reais em sua natureza. Essa união nasce da intuição da essência universal de ambos os sujeitos. A verdade é, como diz Feuerbach, o homem em sua essência, ou em outras palavras, é a essência dos sujeitos (FREDERICO & SAMPAIO, p. 82).[4]
A partir dessas duas influências, Marx passa a sintetizar suas próprias ideias.

3 - Qual a relação entre Marx e a Sociologia?
Para Marx toda forma social tem o processo de trabalho como elemento central.  O Capitalismo para Marx é o que produz uma ligação entre as pessoas, uma dinâmica social via assalariamento ( de compra e venda de relação de trabalho ), visto que esta relação não é uma relação natural, ela precisou ser inventada.



4 - O que é idealismo para Marx?

Para o idealismo é a consciência que produz a realidade. Para Marx é justamente o contrário: a realidade ao invés de produto é a produtora da consciência. Com isso, o marxismo inaugura um método que se sustenta pela concreticidade do real a partir da ordem material das coisas e não pela especulação direcionada à consciência do espírito como no método fenomenológico.

“A ciência é produto da história e continuará a sê-lo enquanto houver relações dos indivíduos entre si e com a natureza. Isto é, só posso conhecer, conceituar e pesquisar o mundo quando admito que o indivíduo age socialmente com ou contra seus semelhantes”; “o conhecimento da natureza e do ser humano realiza-se por meio da influência que os indivíduos recebem das relações sociais tornadas econômicas [...]. Faz-se necessário o conhecimento das relações sociais de produção e de sua distribuição, isto é, das condições produtoras da riqueza e da miséria.”

5 – Como Marx define o materialismo?

“A produção de idéias, representações, da consciência está a principio diretamente entrelaçada com a atividade material e o intercâmbio material dos homens, linguagem da vida real. O intercâmbio espiritual dos homens aparecem aqui ainda como refluxo direto de seu comportamento material.”
“A moral, a religião, a metafísica, e a restante ideologia, e as formas da consciência que lhes correspondem, não conservam assim por mais tempo a aparência de antinomia. Não têm história, não têm desenvolvimento, são os homens que desenvolvem a sua produção material e o seu intercâmbio material que, ao mudarem esta sua realidade, mudam também o seu pensamento e os produtos do seu pensamento. Não é a consciência que determina a vida, é a vida que determina a consciência.”
Para Marx o materialismo está determinado empiricamente através da observação dos indivíduos e suas relações sociais e políticas que mostram a conexão da estrutura social e política com a produção e a forma como eles realmente são, ou seja, suas formas de agir, produzir, trabalhar e viver através de limites que não dependem de sua vontade. Marx defende ainda que diferentemente da visão teológica do mundo onde vêm-se do céu a terra, deve-se ir da terra ao céu, dessa forma, são os homens os responsáveis por moldarem sua cultura e sociedade, sua filosofia e modo de trabalho. [6]

6 - O que Marx quer dizer ao afirmar que Feuerbach " não toma a própria atividade humana como atividade objetiva" ?

Marx quis dizer, que Feuerbach possuía uma visão restrita de que os homem era sujeito às transformações, que simplesmente as circunstâncias - sejam elas econômicas, sociais ou naturais- agiam sobre ele. No entanto, para Marx, isso não é tudo, o homem pode transformar tais circunstâncias: o mundo não é um objeto contemplativo, mas sim o resultado da ação do homem. Por isso Marx afirma que Feuerbach não pode ver o mundo como objeto que pode ser transformado por meio da “atividade revolucionária ou crítico prática”.[6]

7 - Compare a frase de Marx " a essência humana não é uma abstração inerente a cada indivíduo" com as idéias de Durkheim sobre a relação entre o indivíduo e a sociedade

A idéia contida na frase de Marx "Mas, a essência humana não é uma abstração
 inerente a cada indivíduo.Na sua realidade ela é o conjunto das relações sociais."
é semelhante a idéia de fato social  pois segundo Durkheim o comportamento
individual depende dos fatos sociais e que a sociedade seria constituída por uma
consciência coletiva que seria coerciva, exterior e estaria acima
das consciências individuais e o indivíduo que nela nasce seria iniciado,
habituado e coagido a aceitar os valores coletivos como se fossem valores pessoais.
















Bibliografia:
[1]http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Marx#Notas_e_Refer.C3.AAncias acessado em 14/03/2012 as 20:10 (referência biográfica)
[2]http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_obras_de_Karl_Marx acessado em 14/03/2012 as 20:10 (referência para as obras)
[3]http://www.marxists.org/portugues/marx/escolhidas/index.htm acessado em 14/03/2012 as 20:10 ( referência para as obras)
[4]http://pt.shvoong.com/humanities/philosophy/1631539-dial%C3%A9tica-hegeliana/#ixzz1pR30fGJt
[5]www.uesc.br/dcec/sergioricardo/idealismo_materialismo.rtf
[6]QUINTANEIRO, Tânia e outros. Um toque de clássicos. Marx. Durkheim. Weber. Belo Horizonte, Editora da UFMG, 2002.
[7]http://www.leme.pt/biografias/m/marx.html
[8]http://www.urutagua.uem.br/011/11barra.htm 

domingo, 11 de março de 2012

Émile Durkheim - Parte 3


Questão 1: Qual a relação entre a independência dos indivíduos e a divisão do trabalho social?
Nas sociedades onde há Divisão do Trabalho, muitas vezes não é possível controlar todas as funções que a compõe, logo, abre-se um espaço para o desenvolvimento da consciência individual. “Quanto mais o meio social se amplia, menos o desenvolvimento das divergências privadas é contido. Mas, entre as divergências, existem aquelas que são específicas de cada indivíduo, de cada membro da família, elas mesmas tornam-se sempre mais numerosas e mais importantes a medida que o campo das relações sociais se torna mais vasto. Ali, então, onde elas encontram uma resistência débil, é inevitável que elas se provenham de fora, se acentuem, se consolidem e como elas são o âmago da personalidade individual, esta vai necessariamente se desenvolver. Cada qual, com o passar do tempo, assume mais sua fisionomia própria, sua maneira pessoal de sentir e pensar." [1]
Quanto menor a parcela da consciência comum presente em uma sociedade, maior as dessemelhanças e individualidades.

Questão 2: O que é solidariedade e qual é o seu papel social?
A solidariedade social é um fato moral e se dá de duas formas diferentes: através da consciência comum e da consciência individual. A solidariedade que tem como base a consciência comum considera um conjunto de crenças e sentimentos é comum a grande parte dos indivíduos de uma sociedade e recebe o nome de solidariedade mecânica.
A solidariedade que tem como base a consciência individual considera o que é próprio do indivíduo e o difere dos demais. Ela recebe o nome de solidariedade orgânica. Mesmo tendo diferentes fundamentos, elas possuem um mesmo objetivo: a coesão social.

Questão 3: O que é solidariedade mecânica ?
A Solidariedade é chamada mecânica quando liga diretamente o indivíduo à sociedade, sem nenhum intermediário onde o tipo de sociedade que a coesão resulta  exclusivamente  das  semelhanças  compõe-se  de  uma massa  absolutamente  homogênea,  cujas  partes  não  se  distinguiriam  umas  das  outras,  é  um agregado uniforme ou seja um tipo de sociedade simples ou não-organizada[1]. 

Questão 4: Onde encontramos a solidariedade mecânica?
A solidariedade mecânica é facilmente encontrada em agrupamentos humanos como tribos, formadas por clãs, onde existe pouca divisão de trabalho e o poder é centralizado. Visto que existência de um chefe situado “muito acima do resto dos homens”, que encarna a extraordinária autoridade emanada da consciência comum.
Embora já seja uma primeira divisão do trabalho no seio das sociedades primitivas não muda ainda a natureza de sua solidariedade, porque o chefe não faz mais do que unir os membros à imagem do grupo que ele próprio representa. [1]
Um exemplo que podemos dar são os laços que ligam um Déspota aos seus súditos, ou o Cacique de uma tribo.



Questão 5: Explique se a solidariedade diminui ou cresce conforme aumenta o excedente produtivo de uma dada sociedade.

Para Durkhein, o aumento do excedente produtivo aumenta a solidariedade. Tal aumento da produção é consequência da divisão do trabalho, que aumenta interdependência dos indivíduos condicionando no fortalecimento da solidariedade existente.


Questão 6: O que é solidariedade orgânica?

Primeiramente, o nome de solidariedade orgânica é uma analogia com os órgãos dos seres vivos, pois cada indivíduo desempenha uma função própria e diferente dos demais, mas todos são indispensáveis à vida, existe uma dependência uns dos outros.
A solidariedade orgânica caracteriza as sociedades onde ocorre a divisão econômica do trabalho, espera-se assim uma diferenciação social que possibilita o crescimento da individualidade, caminhando para a integração social, conduz a uma maior coesão social. Nessa sociedade, o indivíduo é visto como uma coisa de que a sociedade possui. A consciência social se exprime pelo direito reparador e pela moral.
Nas sociedades onde ocorre essa diferenciação dos indivíduos, fenômeno característico da sociedade moderna, cada um tem uma maior liberdade, e menos restrições, comparadas com as sociedades primitivas.


Questão 7- Explique a divisão social do trabalho
Durkheim foi contemporâneo da evolução industrial e por isso as mudanças nas relações de trabalho estavam no cerne de seu pensamento. Para durkheim a divisão do trabalho, a especialização em segmentos é o que torna possível a sociedade; A divisão das funções não é devido somente a vantagens econômicas ou que aumentem o rendimento,mas principalmente torna os inividuos solidários mais próximos entre si, porém o que os aproxima são as diferenças e não as semelhanças. No texto durkheim cita a divisão social do trabalho entre os sexos.




Questão 8 -  Por que ocorre a preponderâncias da solidariedade orgânica?
           Primeiramente citaremos um trecho do texto que chama a atenção. Neste trecho Durkheim discorre sobre a solidariedade mecânica das hordas: "Todavia o que faz com que tenhamos o direito de postular sua existência é o fato de as sociedades inferiores, as que são mais aproximadas deste estado primitivo, serem formadas por simples repetições de agregados desse gênero"[...]
Está claramente incrustrado no pensamento de Durkheim o princípio positivista, pois ele declara que a solidariedade mecânica é um estado primitivo das sociedades inferiores que seria aperfeiçoado até chegar-se a solidariedade orgânica, ou seja, seria a principal causa da solidariedade orgânica ser preponderante em sociedades superiores. (Vê-se aqui a sugestão do progresso positivista, partindo de um ponto inicial primitivo a um ponto final superior).  Durkheim faz notar o antagonismo entre estes dois tipos de solidariedade (o que seria citando também um misto entre os dois tipos, mas que não subsistiria com o tempo). Outro fato notório são as comparações feitas por Durkheim da sociologia com as ciências biológicas, citando várias vezes termos usados nesta.


Questão 9: O que é anomia social?

Para Durkheim, a anomia Social é toda deficiência existente no contato entre duas instituições ou organismos que estavam em harmonia anteriormente no que tange o aspecto de suas relações de interdependência.

Questão 10: Para Durkheim quando ocorre uma situação de anomia social?

Para Durkheim, a anomia social ocorre quando dois órgãos ou instituições que eram antes solidárias entre si apresentam falhas na comunicação e na harmonia das atividades que realizam em conjunto.


Referências Bibliográficas

[1] QUINTANEIRO, Tania. Um toque de clássicos : Marx, Durkhein e Weber. 2.ed. ver. amp. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002. Pgs 71, 72, 73 e 74.


DURKHEIM, Émile. Émile Durkheim: sociologia. São Paulo: Editora Ática, 1984. Coleção Grandes Cientistas Sociais. Caps. 4, 5 ,6, 7 e 8.


domingo, 4 de março de 2012

Émile Durkheim - Parte 2

Questão 1 : O que são julgamentos de valor?

Os julgamentos de valor ou também chamados juízos de valor, exprimem para Durkeim, o valor que as coisas ou fatos têm para nós como indivíduos ou coletividade. Todo o julgamento que expõe uma avaliação é um julgamento de valor, de maneira que os valores que são ressaltados são independentes do sujeito. Podemos exemplificar: quando alguém diz que a Bíblia possui grande valor religioso, mesmo se essa pessoa for ateísta,  nada lhe impede de reconhecer o valor religioso que esse objeto possui, tal valor existe independente do indivíduo.[1]
Durkheim distingue dois tipos de valores: os valores ideais (morais, estéticos e religiosos) e os valores materiais (econômicos). Os dois tipos de valores possuem alguma objetividade: o dinheiro, por exemplo, tem objetividade material, como uma crença religiosa tem objetividade social. No entanto, os valores ideais têm uma qualidade adicional: sua desejabilidade. Trata-se de algo valioso que todos almejam além de sua simples materialidade. [2]

Questão 2 : O que são julgamentos de realidade?
            Julgamentos de realidade são julgamentos que se limitam a exprimir determinados fatos, sem atribuir um valor que lhe pertença, mostrando somente o estado do sujeito. Podemos citar como exemplo o seguinte: quando falamos sobre o que gostamos (gosto de laranja), ou sobre as nossas preferências (prefiro cachorro a gato) estamos emitindo um julgamento de realidade, pois emitimos uma opinião sobre o fato, mas não conseguimos colocar nele um valor (qualidade ou defeito) que, todas as vezes que alguém citar o mesmo gosto, ou a mesma preferência, vai citar necessariamente o mesmo valor[1].

Questão 3 : Qual a relação entre julgamentos de realidade e julgamentos de valor?
            Ambos os julgamentos apresentam a mesma natureza (colocar em ação os ideais) e precisam de uma prerrogativa inicial para ocorrer. Só conseguimos exprimir nossas preferências e gostos porque assumimos uma série de outros ideais, de valores, que são impostos pelo meio em que se vive.   

Questão 4 : O que os julgamentos de realidade têm a ver com a Ciência Positiva?

            Assim como na Ciência Positiva, os Julgamentos de Realidade deve ser feito de maneira impessoal. Ou seja, no momento da análise tanto as preferências quanto opiniões devem extraídas, restando somente os fatos como objetos de análise.

Questão 5 : O que é moral para Durkheim ?

Moral é tudo o que é fonte de solidariedade, tudo o que força o indivíduo a contar com seu próximo, a regular seus movimentos com base em outra coisa que não os impulsos de seu egoísmo, e a moralidade é tanto mais sólida quanto mais numerosos e fortes são estes laços[3]. O fato moral se distingue de todos os outros fatos, porque comporta a enumeração do que deve ser, enquanto os outros fatos significam simplesmente o que é.

"A Moral é a ciência dos costumes"

A moral consiste em “um sistema de normas de conduta que prescrevem como o sujeito deve  conduzir-se  em  determinadas  circunstâncias”[4].

A idéia básica é que a moral deva ser uma regra determinante da conduta, fixando o comportamento de forma a reduzir o arbítrio individual, além de estabelecer a regularidade de hábitos em condições determinadas. Essa regularidade atuaria mediante a autoridade moral, sendo que juntas comporiam o espírito de disciplina, a primeira disposição fundamental de todo temperamento moral, considerado o primeiro elemento da moralidade e fator sui generis na educação. Associada à idéia do condicionamento da moralidade, Durkheim argumenta sobre a necessidade humana de interessar-se por algo distinto de si mesmo mediante o vínculo com grupos sociais e a devida solidariedade a estes. Esse vínculo social é considerando o segundo elemento da moralidade. Uma moralidade compreendida como uma mescla de razão e sentimentos, um dualismo entre a autonomia e a heteronomia, uma natureza marcada pela vontade arrazoada e a obrigação. Para Durkheim não há no homem uma unicidade de razão que lhe permita ter uma autonomia plena de sua vontade. Entretanto, considerava a autonomia da vontade o terceiro elemento da moralidade[5].

Questão 6 : O valor moral da sociedade equivale a soma dos valores morais individuais?

Sim, para Durkheim o valor da sociedade é moldado pela maioria dos valores individuais, ou seja, o que é julgado ser certo pela maioria de um povo torna-se certo perante aquela sociedade, tornando assim os valores morais objetivos sobre essa óptica. Além disso, ao convencionar-se determinado padrão como certo a sociedade em geral exerce pressão sobre aqueles que têm valores morais diferentes fazendo com que estes se tornem diferenciados no ponto em questão, oprimindo assim os valores morais individuais.

Questão 7 : Quais os valores podemos dar da visão Durkheimeana da relação entre a moral e a sociedade ?


           Primeiro vamos relembrar que segundo a visão Durkheimeana existe uma consciência coletiva da sociedade que coage e exerce uma pressão sobre cada indivíduo no que diz respeito a conceitos morais e costumes, ou seja, as questões morais de um indivíduo são influenciadas diretamente pela sociedade em que ele está inserido, e não compete a sociologia julgar se esses conceitos são corretos ou justos;  Alguns bons exemplos que foram dados em sala de aula pelo Professor Sérgio Amadeu exemplificam a visão durkheimeana da relação entre moral e sociedade. Um dos temas citados foi a moral existente em alguns países árabes de que a mulher deve usar véu ou burca , ao contrário do Brasil e dos  países ocidentais onde essa prática é considerada estranha ou talvez até inaceitável.  Outro exemplo bem marcante é o da chegada dos portugueses ao Brasil, onde eles encontraram  indígenas que conviviam em estado de nudez, algo que foi chocante para os colonizadores,  que tentaram a todo custo mudar essa prática e implantarem o seu modo de vida. Fica claro nesses exemplos que cada sociedade tem uma visão diferente do comportamento moral de cada indivíduo.



Referências Bibliográficas


[1] DURKHEIM, Émile. Émile Durkheim: sociologia. São Paulo: Editora Ática, 1984. Coleção Grandes Cientistas Sociais. (Capítulos: Julgamentos de valor e Julgamentos de realidade).

[2] FREITAG, Bárbara. Itinerários de Antígona: a questão da moralidade. Campinas, SP: Papirus, 1992. 121p.

[3] DURKHEIM, Émile. Émile Durkheim: Da divisão do trabalho social. 4.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010. 338p.

[4] QUINTANEIRO, Tania. Um toque de clássicos : Marx, Durkhein e Weber. 2.ed. ver. amp. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002. 89p.

[5] DURKHEIM, Émile. La educación moral. Tradução José Taberner Guasp e Antonio Bolívar Botía. Madri: Trota, 2002