domingo, 18 de março de 2012

Karl Marx – Parte 1





Karl Marx – Parte 1


Questões relacionadas aos textos:
MARX, Karl. Teses sobre Feuerbach. Escrito em 1845
Disponível: http://www.marxists.org/portugues/marx/1845/tesfeuer.htm
MARX, Karl; ENGELS, Fridrich. A Ideologia Alemã.
Disponível: http://www.marxists.org/portugues/marx/1845/ideologia-alema-oe/cap4.htm#t6

1 - Quem foi Karl Marx?
Karl Marx foi um importante economista, filósofo, historiador e sociólogo alemão (na verdade, na época ainda não existia a Alemanha; o que existia era o Reino da Prússia) que viveu durante o século XIX. Nascido em 5 de maio de 1818, na cidade de Tréveris, Marx advinha de uma família de origem judaica, fato esse que impossibilitou-o de, posteriormente, seguir na carreira acadêmica.
Ele iniciou os seus estudos em 1830 no Liceu Friedrich Willhein, que ficava em sua própria cidade natal. Posteriormente foi para a Universidade de Bonn, em Berlim, para estudar direito, mas no ano seguinte transferiu-se para a Universidade de Berlim (onde Hegel foi professor e reitor; Hegel influenciou fortemente as ideias de Marx). Marx ingressou no clube dos doutores, e, depois, participou ativamente do movimento dos jovens hegelianos. Em 1841, Marx obteve o titulo de doutor em filosofia com uma tese sobre “Diferenças da filosofia da natureza em Demócrito e Epícuro”. Impedido de seguir na carreira acadêmica, Marx se tornou redator-chefe na Gazeta Renana, um jornal da província de Colônia (foi durante esse período que Marx conheceu Frederich Engels).
Em 1843 a Gazeta Renana foi fechada após publicar uma serie de ataques ao governo prussiano. Com isso Marx mudou-se para França, onde conheceu a liga dos justos (que mais tarde viraria a liga dos comunistas). Nesse período Marx conheceu Proudhon e Bakunin, e intensificou os seus estudos sobre economia política, o socialismo utópico francês e a história da frança. Ainda na França, Marx, juntamente com Engels, editou uma pequena publicação de pequena circulação que criticava duramente o regime político alemão (na época prussiano), e a pedido do governo Prussiano, Marx foi expulso da França.
Marx então volta para a Prússia, juntamente com Engels, e durante esse período a dupla realiza diversas atividades, como a criação de uma nova Gazeta Renana, e a publicação de O Manifesto Comunista, entre outros escritos. Em 1849 sua família passa por uma grave crise financeira e Marx tenta voltar a Paris, mas o governo o impede de fixar residência. Então, graças a uma arrecadação de donativos organizada por Ferdinand Lassalle, Marx e sua família conseguem ir para Londres, onde fixaram residência definitiva.
Karl Marx morreu em 1883, em Londres, dois anos após a morte de sua esposa. Em vida, Marx publicou diversas escritos, como Teses sobre Feuerbach, Manifesto Comunista, O capital, entre outros e foi influenciado por diversos pensadores e filósofos como Hegel, Feuerbach, Proudhon, entre outros.[1][2][3][4]

2 - Quem mais influenciou o pensamento de Karl Marx?
Uma das maiores influências de Marx foi Hegel – que foi professor da Universidade de Berlim, na qual Marx estudou -, com sua dialética idealista. E Logo após, por Feuerbach, com o materialismo.[4]
Marx participou de um grupo neo-hegeliano, de esquerda, que seguia e defendia os ideais de Hegel. Ele utiliza a dialética de Hegel para desenvolver a dialética de sua principal Obra, “O Capital”. [5]
A dialética hegeliana se compõe de tese, antítese e síntese. A tese é o momento da afirmação; a antítese a negação da afirmação; a síntese é a negação da negação, ou seja, é o resultado da antítese anterior, no qual suspende a oposição entre a tese e a antítese. Na relação sujeito e objeto, o sujeito é abstrato, ele se encarna na Razão. Melhor dizendo, o ser é ‘sujeito de si mesmo’, independente da existência corporal do indivíduo pensante. O ser é uma simples propriedade do pensar. A consciência é o ser, o sujeito. O ser é objeto (PLEKHÂNOV, 1972, p. 22).
Porém, após conhecer os pensamentos de Feurbach sobre o materialismo, algumas opiniões de Marx mudaram. Como exemplo, Marx continuou defendendo a filosofia de que o mundo está em constante processo devido à existência dos opostos, mas deixou de crer que o sujeito do mundo era a “Consciência Absoluta”.[6]
Em Feuerbach a essência do homem é o seu ser. O real é o sensível. A verdade reside na união de dois sujeitos reais em sua natureza. Essa união nasce da intuição da essência universal de ambos os sujeitos. A verdade é, como diz Feuerbach, o homem em sua essência, ou em outras palavras, é a essência dos sujeitos (FREDERICO & SAMPAIO, p. 82).[4]
A partir dessas duas influências, Marx passa a sintetizar suas próprias ideias.

3 - Qual a relação entre Marx e a Sociologia?
Para Marx toda forma social tem o processo de trabalho como elemento central.  O Capitalismo para Marx é o que produz uma ligação entre as pessoas, uma dinâmica social via assalariamento ( de compra e venda de relação de trabalho ), visto que esta relação não é uma relação natural, ela precisou ser inventada.



4 - O que é idealismo para Marx?

Para o idealismo é a consciência que produz a realidade. Para Marx é justamente o contrário: a realidade ao invés de produto é a produtora da consciência. Com isso, o marxismo inaugura um método que se sustenta pela concreticidade do real a partir da ordem material das coisas e não pela especulação direcionada à consciência do espírito como no método fenomenológico.

“A ciência é produto da história e continuará a sê-lo enquanto houver relações dos indivíduos entre si e com a natureza. Isto é, só posso conhecer, conceituar e pesquisar o mundo quando admito que o indivíduo age socialmente com ou contra seus semelhantes”; “o conhecimento da natureza e do ser humano realiza-se por meio da influência que os indivíduos recebem das relações sociais tornadas econômicas [...]. Faz-se necessário o conhecimento das relações sociais de produção e de sua distribuição, isto é, das condições produtoras da riqueza e da miséria.”

5 – Como Marx define o materialismo?

“A produção de idéias, representações, da consciência está a principio diretamente entrelaçada com a atividade material e o intercâmbio material dos homens, linguagem da vida real. O intercâmbio espiritual dos homens aparecem aqui ainda como refluxo direto de seu comportamento material.”
“A moral, a religião, a metafísica, e a restante ideologia, e as formas da consciência que lhes correspondem, não conservam assim por mais tempo a aparência de antinomia. Não têm história, não têm desenvolvimento, são os homens que desenvolvem a sua produção material e o seu intercâmbio material que, ao mudarem esta sua realidade, mudam também o seu pensamento e os produtos do seu pensamento. Não é a consciência que determina a vida, é a vida que determina a consciência.”
Para Marx o materialismo está determinado empiricamente através da observação dos indivíduos e suas relações sociais e políticas que mostram a conexão da estrutura social e política com a produção e a forma como eles realmente são, ou seja, suas formas de agir, produzir, trabalhar e viver através de limites que não dependem de sua vontade. Marx defende ainda que diferentemente da visão teológica do mundo onde vêm-se do céu a terra, deve-se ir da terra ao céu, dessa forma, são os homens os responsáveis por moldarem sua cultura e sociedade, sua filosofia e modo de trabalho. [6]

6 - O que Marx quer dizer ao afirmar que Feuerbach " não toma a própria atividade humana como atividade objetiva" ?

Marx quis dizer, que Feuerbach possuía uma visão restrita de que os homem era sujeito às transformações, que simplesmente as circunstâncias - sejam elas econômicas, sociais ou naturais- agiam sobre ele. No entanto, para Marx, isso não é tudo, o homem pode transformar tais circunstâncias: o mundo não é um objeto contemplativo, mas sim o resultado da ação do homem. Por isso Marx afirma que Feuerbach não pode ver o mundo como objeto que pode ser transformado por meio da “atividade revolucionária ou crítico prática”.[6]

7 - Compare a frase de Marx " a essência humana não é uma abstração inerente a cada indivíduo" com as idéias de Durkheim sobre a relação entre o indivíduo e a sociedade

A idéia contida na frase de Marx "Mas, a essência humana não é uma abstração
 inerente a cada indivíduo.Na sua realidade ela é o conjunto das relações sociais."
é semelhante a idéia de fato social  pois segundo Durkheim o comportamento
individual depende dos fatos sociais e que a sociedade seria constituída por uma
consciência coletiva que seria coerciva, exterior e estaria acima
das consciências individuais e o indivíduo que nela nasce seria iniciado,
habituado e coagido a aceitar os valores coletivos como se fossem valores pessoais.
















Bibliografia:
[1]http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Marx#Notas_e_Refer.C3.AAncias acessado em 14/03/2012 as 20:10 (referência biográfica)
[2]http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_obras_de_Karl_Marx acessado em 14/03/2012 as 20:10 (referência para as obras)
[3]http://www.marxists.org/portugues/marx/escolhidas/index.htm acessado em 14/03/2012 as 20:10 ( referência para as obras)
[4]http://pt.shvoong.com/humanities/philosophy/1631539-dial%C3%A9tica-hegeliana/#ixzz1pR30fGJt
[5]www.uesc.br/dcec/sergioricardo/idealismo_materialismo.rtf
[6]QUINTANEIRO, Tânia e outros. Um toque de clássicos. Marx. Durkheim. Weber. Belo Horizonte, Editora da UFMG, 2002.
[7]http://www.leme.pt/biografias/m/marx.html
[8]http://www.urutagua.uem.br/011/11barra.htm 

domingo, 11 de março de 2012

Émile Durkheim - Parte 3


Questão 1: Qual a relação entre a independência dos indivíduos e a divisão do trabalho social?
Nas sociedades onde há Divisão do Trabalho, muitas vezes não é possível controlar todas as funções que a compõe, logo, abre-se um espaço para o desenvolvimento da consciência individual. “Quanto mais o meio social se amplia, menos o desenvolvimento das divergências privadas é contido. Mas, entre as divergências, existem aquelas que são específicas de cada indivíduo, de cada membro da família, elas mesmas tornam-se sempre mais numerosas e mais importantes a medida que o campo das relações sociais se torna mais vasto. Ali, então, onde elas encontram uma resistência débil, é inevitável que elas se provenham de fora, se acentuem, se consolidem e como elas são o âmago da personalidade individual, esta vai necessariamente se desenvolver. Cada qual, com o passar do tempo, assume mais sua fisionomia própria, sua maneira pessoal de sentir e pensar." [1]
Quanto menor a parcela da consciência comum presente em uma sociedade, maior as dessemelhanças e individualidades.

Questão 2: O que é solidariedade e qual é o seu papel social?
A solidariedade social é um fato moral e se dá de duas formas diferentes: através da consciência comum e da consciência individual. A solidariedade que tem como base a consciência comum considera um conjunto de crenças e sentimentos é comum a grande parte dos indivíduos de uma sociedade e recebe o nome de solidariedade mecânica.
A solidariedade que tem como base a consciência individual considera o que é próprio do indivíduo e o difere dos demais. Ela recebe o nome de solidariedade orgânica. Mesmo tendo diferentes fundamentos, elas possuem um mesmo objetivo: a coesão social.

Questão 3: O que é solidariedade mecânica ?
A Solidariedade é chamada mecânica quando liga diretamente o indivíduo à sociedade, sem nenhum intermediário onde o tipo de sociedade que a coesão resulta  exclusivamente  das  semelhanças  compõe-se  de  uma massa  absolutamente  homogênea,  cujas  partes  não  se  distinguiriam  umas  das  outras,  é  um agregado uniforme ou seja um tipo de sociedade simples ou não-organizada[1]. 

Questão 4: Onde encontramos a solidariedade mecânica?
A solidariedade mecânica é facilmente encontrada em agrupamentos humanos como tribos, formadas por clãs, onde existe pouca divisão de trabalho e o poder é centralizado. Visto que existência de um chefe situado “muito acima do resto dos homens”, que encarna a extraordinária autoridade emanada da consciência comum.
Embora já seja uma primeira divisão do trabalho no seio das sociedades primitivas não muda ainda a natureza de sua solidariedade, porque o chefe não faz mais do que unir os membros à imagem do grupo que ele próprio representa. [1]
Um exemplo que podemos dar são os laços que ligam um Déspota aos seus súditos, ou o Cacique de uma tribo.



Questão 5: Explique se a solidariedade diminui ou cresce conforme aumenta o excedente produtivo de uma dada sociedade.

Para Durkhein, o aumento do excedente produtivo aumenta a solidariedade. Tal aumento da produção é consequência da divisão do trabalho, que aumenta interdependência dos indivíduos condicionando no fortalecimento da solidariedade existente.


Questão 6: O que é solidariedade orgânica?

Primeiramente, o nome de solidariedade orgânica é uma analogia com os órgãos dos seres vivos, pois cada indivíduo desempenha uma função própria e diferente dos demais, mas todos são indispensáveis à vida, existe uma dependência uns dos outros.
A solidariedade orgânica caracteriza as sociedades onde ocorre a divisão econômica do trabalho, espera-se assim uma diferenciação social que possibilita o crescimento da individualidade, caminhando para a integração social, conduz a uma maior coesão social. Nessa sociedade, o indivíduo é visto como uma coisa de que a sociedade possui. A consciência social se exprime pelo direito reparador e pela moral.
Nas sociedades onde ocorre essa diferenciação dos indivíduos, fenômeno característico da sociedade moderna, cada um tem uma maior liberdade, e menos restrições, comparadas com as sociedades primitivas.


Questão 7- Explique a divisão social do trabalho
Durkheim foi contemporâneo da evolução industrial e por isso as mudanças nas relações de trabalho estavam no cerne de seu pensamento. Para durkheim a divisão do trabalho, a especialização em segmentos é o que torna possível a sociedade; A divisão das funções não é devido somente a vantagens econômicas ou que aumentem o rendimento,mas principalmente torna os inividuos solidários mais próximos entre si, porém o que os aproxima são as diferenças e não as semelhanças. No texto durkheim cita a divisão social do trabalho entre os sexos.




Questão 8 -  Por que ocorre a preponderâncias da solidariedade orgânica?
           Primeiramente citaremos um trecho do texto que chama a atenção. Neste trecho Durkheim discorre sobre a solidariedade mecânica das hordas: "Todavia o que faz com que tenhamos o direito de postular sua existência é o fato de as sociedades inferiores, as que são mais aproximadas deste estado primitivo, serem formadas por simples repetições de agregados desse gênero"[...]
Está claramente incrustrado no pensamento de Durkheim o princípio positivista, pois ele declara que a solidariedade mecânica é um estado primitivo das sociedades inferiores que seria aperfeiçoado até chegar-se a solidariedade orgânica, ou seja, seria a principal causa da solidariedade orgânica ser preponderante em sociedades superiores. (Vê-se aqui a sugestão do progresso positivista, partindo de um ponto inicial primitivo a um ponto final superior).  Durkheim faz notar o antagonismo entre estes dois tipos de solidariedade (o que seria citando também um misto entre os dois tipos, mas que não subsistiria com o tempo). Outro fato notório são as comparações feitas por Durkheim da sociologia com as ciências biológicas, citando várias vezes termos usados nesta.


Questão 9: O que é anomia social?

Para Durkheim, a anomia Social é toda deficiência existente no contato entre duas instituições ou organismos que estavam em harmonia anteriormente no que tange o aspecto de suas relações de interdependência.

Questão 10: Para Durkheim quando ocorre uma situação de anomia social?

Para Durkheim, a anomia social ocorre quando dois órgãos ou instituições que eram antes solidárias entre si apresentam falhas na comunicação e na harmonia das atividades que realizam em conjunto.


Referências Bibliográficas

[1] QUINTANEIRO, Tania. Um toque de clássicos : Marx, Durkhein e Weber. 2.ed. ver. amp. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002. Pgs 71, 72, 73 e 74.


DURKHEIM, Émile. Émile Durkheim: sociologia. São Paulo: Editora Ática, 1984. Coleção Grandes Cientistas Sociais. Caps. 4, 5 ,6, 7 e 8.


domingo, 4 de março de 2012

Émile Durkheim - Parte 2

Questão 1 : O que são julgamentos de valor?

Os julgamentos de valor ou também chamados juízos de valor, exprimem para Durkeim, o valor que as coisas ou fatos têm para nós como indivíduos ou coletividade. Todo o julgamento que expõe uma avaliação é um julgamento de valor, de maneira que os valores que são ressaltados são independentes do sujeito. Podemos exemplificar: quando alguém diz que a Bíblia possui grande valor religioso, mesmo se essa pessoa for ateísta,  nada lhe impede de reconhecer o valor religioso que esse objeto possui, tal valor existe independente do indivíduo.[1]
Durkheim distingue dois tipos de valores: os valores ideais (morais, estéticos e religiosos) e os valores materiais (econômicos). Os dois tipos de valores possuem alguma objetividade: o dinheiro, por exemplo, tem objetividade material, como uma crença religiosa tem objetividade social. No entanto, os valores ideais têm uma qualidade adicional: sua desejabilidade. Trata-se de algo valioso que todos almejam além de sua simples materialidade. [2]

Questão 2 : O que são julgamentos de realidade?
            Julgamentos de realidade são julgamentos que se limitam a exprimir determinados fatos, sem atribuir um valor que lhe pertença, mostrando somente o estado do sujeito. Podemos citar como exemplo o seguinte: quando falamos sobre o que gostamos (gosto de laranja), ou sobre as nossas preferências (prefiro cachorro a gato) estamos emitindo um julgamento de realidade, pois emitimos uma opinião sobre o fato, mas não conseguimos colocar nele um valor (qualidade ou defeito) que, todas as vezes que alguém citar o mesmo gosto, ou a mesma preferência, vai citar necessariamente o mesmo valor[1].

Questão 3 : Qual a relação entre julgamentos de realidade e julgamentos de valor?
            Ambos os julgamentos apresentam a mesma natureza (colocar em ação os ideais) e precisam de uma prerrogativa inicial para ocorrer. Só conseguimos exprimir nossas preferências e gostos porque assumimos uma série de outros ideais, de valores, que são impostos pelo meio em que se vive.   

Questão 4 : O que os julgamentos de realidade têm a ver com a Ciência Positiva?

            Assim como na Ciência Positiva, os Julgamentos de Realidade deve ser feito de maneira impessoal. Ou seja, no momento da análise tanto as preferências quanto opiniões devem extraídas, restando somente os fatos como objetos de análise.

Questão 5 : O que é moral para Durkheim ?

Moral é tudo o que é fonte de solidariedade, tudo o que força o indivíduo a contar com seu próximo, a regular seus movimentos com base em outra coisa que não os impulsos de seu egoísmo, e a moralidade é tanto mais sólida quanto mais numerosos e fortes são estes laços[3]. O fato moral se distingue de todos os outros fatos, porque comporta a enumeração do que deve ser, enquanto os outros fatos significam simplesmente o que é.

"A Moral é a ciência dos costumes"

A moral consiste em “um sistema de normas de conduta que prescrevem como o sujeito deve  conduzir-se  em  determinadas  circunstâncias”[4].

A idéia básica é que a moral deva ser uma regra determinante da conduta, fixando o comportamento de forma a reduzir o arbítrio individual, além de estabelecer a regularidade de hábitos em condições determinadas. Essa regularidade atuaria mediante a autoridade moral, sendo que juntas comporiam o espírito de disciplina, a primeira disposição fundamental de todo temperamento moral, considerado o primeiro elemento da moralidade e fator sui generis na educação. Associada à idéia do condicionamento da moralidade, Durkheim argumenta sobre a necessidade humana de interessar-se por algo distinto de si mesmo mediante o vínculo com grupos sociais e a devida solidariedade a estes. Esse vínculo social é considerando o segundo elemento da moralidade. Uma moralidade compreendida como uma mescla de razão e sentimentos, um dualismo entre a autonomia e a heteronomia, uma natureza marcada pela vontade arrazoada e a obrigação. Para Durkheim não há no homem uma unicidade de razão que lhe permita ter uma autonomia plena de sua vontade. Entretanto, considerava a autonomia da vontade o terceiro elemento da moralidade[5].

Questão 6 : O valor moral da sociedade equivale a soma dos valores morais individuais?

Sim, para Durkheim o valor da sociedade é moldado pela maioria dos valores individuais, ou seja, o que é julgado ser certo pela maioria de um povo torna-se certo perante aquela sociedade, tornando assim os valores morais objetivos sobre essa óptica. Além disso, ao convencionar-se determinado padrão como certo a sociedade em geral exerce pressão sobre aqueles que têm valores morais diferentes fazendo com que estes se tornem diferenciados no ponto em questão, oprimindo assim os valores morais individuais.

Questão 7 : Quais os valores podemos dar da visão Durkheimeana da relação entre a moral e a sociedade ?


           Primeiro vamos relembrar que segundo a visão Durkheimeana existe uma consciência coletiva da sociedade que coage e exerce uma pressão sobre cada indivíduo no que diz respeito a conceitos morais e costumes, ou seja, as questões morais de um indivíduo são influenciadas diretamente pela sociedade em que ele está inserido, e não compete a sociologia julgar se esses conceitos são corretos ou justos;  Alguns bons exemplos que foram dados em sala de aula pelo Professor Sérgio Amadeu exemplificam a visão durkheimeana da relação entre moral e sociedade. Um dos temas citados foi a moral existente em alguns países árabes de que a mulher deve usar véu ou burca , ao contrário do Brasil e dos  países ocidentais onde essa prática é considerada estranha ou talvez até inaceitável.  Outro exemplo bem marcante é o da chegada dos portugueses ao Brasil, onde eles encontraram  indígenas que conviviam em estado de nudez, algo que foi chocante para os colonizadores,  que tentaram a todo custo mudar essa prática e implantarem o seu modo de vida. Fica claro nesses exemplos que cada sociedade tem uma visão diferente do comportamento moral de cada indivíduo.



Referências Bibliográficas


[1] DURKHEIM, Émile. Émile Durkheim: sociologia. São Paulo: Editora Ática, 1984. Coleção Grandes Cientistas Sociais. (Capítulos: Julgamentos de valor e Julgamentos de realidade).

[2] FREITAG, Bárbara. Itinerários de Antígona: a questão da moralidade. Campinas, SP: Papirus, 1992. 121p.

[3] DURKHEIM, Émile. Émile Durkheim: Da divisão do trabalho social. 4.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010. 338p.

[4] QUINTANEIRO, Tania. Um toque de clássicos : Marx, Durkhein e Weber. 2.ed. ver. amp. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002. 89p.

[5] DURKHEIM, Émile. La educación moral. Tradução José Taberner Guasp e Antonio Bolívar Botía. Madri: Trota, 2002






                                          

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Émile Durkheim (1858 - 1917) - Parte 1




Quem é Émile Durkheim?

       Émile Durkheim nasceu dia 15 de abril de 1858 e faleceu dia 15 de novembro de 1917. Foi um dos responsáveis por tornar a Sociologia uma disciplina acadêmica.
       Desde jovem era contra a educação religiosa (mesmo sendo de uma família religiosa) e a favor do conhecimento científico. Em vários de seus trabalhos tentou mostrar que fenômenos religiosos tinham origem devido a acontecimentos sociais.
       Aos 21 anos, ingressou na Escolar Normal Superior. Em 1882, formou-se em Filosofia e cinco anos depois passou a lecionar Pedagogia e Ciência Social em Bordeaux.
       Durkheim é enviado à Alemanha, onde é influenciado pelo funcionamento das universidades e pelos filósofos que se interessam pelo Estado moderno. Assim que retorna a Bordeaux, inicia suas obras sobre a sociologia, disputando com Gabriel Tarde e René Worms. Porém suas ideias vencem tal disputa por seus ideais intelectuais e institucionais.
       Em 1898, funda a revista sobre ciências sociais L’Année Sociologique e quatro anos depois é nomeado professor da Faculdade de Letras da Universidade de Paris, onde passa a lecionar Sociologia, consolidando-a como disciplina universitária.
       Foi membro fundador da Liga Francesa para a Defesa dos Direitos do Homem e sustentou teses socialistas-reformistas.
       No início da Primeira Guerra Mundial, Durkheim passa a fazer parte da União Sagrada (que tinha o objetivo de aproximação política que uniu franceses de todas as tendências, políticas ou religiosas) e tornou-se secretário do Comitê de Estudos e de Documentação sobre a guerra.
Seu filho morre em combate em dezembro de 1916, então Durkheim cai em uma profunda tristeza e isso talvez explique sua morte precoce, em 1917.
       Durkheim publicou centenas de estudos sociais sobre educação, crimes, religião e suicídio. Sua atenção estava voltada para como a sociedade manteria sua integridade na vida moderna, tendo a etnia e a religião tão misturadas.
       Afirmava que “os fatos sociais devem ser tratados como coisas”, criando uma definição normal ou patológica para a sociedade. O estado normal seria aquilo que é obrigatório para o indivíduo e superior a ele, ou seja, a sociedade e a consciência coletiva são entidade morais.
       Durkheim contesta a visão de sociedade contida pela Economia Clássica de que os indivíduos agem orientados pela maximização de seus interesses. Com isso cria a Divisão do Trabalho Social, que ele considera não apenas como um fenômeno econômico, mas também social e gerador de vínculos de solidariedade, pois com o trabalho dividido, um indivíduo depende do outro para satisfação dos interesses.

       Principais obras:
- Divisão do Trabalho Social (1893)
- Regras do Método Sociológico (1895)
- O Suicídio (1897)
- A Educação Moral (1902)
- As Formas Elementares da Vida Religiosa (1912)
- Lições de Sociologia (1912)




Qual a relação de Émile Durkheim com o Positivismo?

       Assim como Comte que dividia a Sociologia em Estática, que analisava as sociedades fixas em um momento de sua evolução pesquisando as leis de seu equilíbrio e Dinâmica, que considera as sociedades na sua evolução e se empenha em descobrir as leis de seu desenvolvimento, sendo essa a lei principal do positivismo, a lei dos três estados, Durkheim estruturou a sociologia de forma que a mesma não fosse confundida com nenhuma outra ciência considerada positiva tornando-se assim uma delas.


Como Durkheim dividia a Sociologia?

       Durkheim acreditva que a sociologia deveria ter um objeto principal de estudos, assim, não seria confundida com outras ciências positivas como a Biologia ou a Psicologia. Ele também dividiu a Sociologia em três áreas principais:
       - Sociologia Geral: estuda as causas dos fatos sociais.
       - Morfologia Social: estudo da base geográfica dos povos em suas relações com a organização social. Estuda também a população, seu volume, densidade e distribuição geográfica.
       - Fisiologia Social: segue conforme a tabela abaixo.

Área da Sociologia
O que estuda?
Religiosa
Moral
Jurídica
Dogmas, crenças e mitos
Moral e costumes
Autoridade de códigos e leis
Econômica
Instituições relativas à produção de riquezas
Linguística
Marcas da sociedade
Estética
Formas de trabalhos artísticos (poemas, esculturas, quadros, etc.)


Por que é da natureza das próprias ciências positivas não serem jamais terminadas?

       Para Durkheim as realidades de que tratam as ciências positivas são muito complexas e abrangentes e por isso possuem conteúdo para nunca serem esgotados os estudos a cerca delas.


Qual a relação entre a moral e a vida social?

       Para Durkheim, existe a chamada sociologia moral, que seria uma das divisões da fisiologia social.
       Para ele, a moral e os costumes são fenômenos sociais, ou seja, são condutas que independem da vontade do sujeito, pois existe uma consciência pública que rege e fiscaliza suas ações.
       No texto, Durkheim cita diversas maneiras em que a vida social do sujeito está submetida a consciência coletiva de diversos modos e em graus diferentes, e nem sempre essa coerção é perceptível.


O que são fatos sociais?

       Fatos sociais são aqueles que exercem determinada pressão social para que possam ser cumpridos e que independem da vontade individual do ser humano pois estão impostos pelo consciente coletivo da sociedade.


Qual a relação entre o comportamento individual e as maneiras de ser coletivas?

       Para Durkheim, o comportamento individual depende dos fatos sociais.
       Ele diz que a sociedade seria constituída por uma consciência coletiva – que seria coerciva, exterior e estaria acima das consciências individuais – e o e o indivíduo que nela nasce seria iniciado, habituado e coagido a aceitar os valores coletivos como se fossem valores pessoais.
       Ou seja, o indivíduo seria obrigado a pensar e agir conforme a sua realidade social maior, de acordo com a sociedade já que seu desejo é incapaz de promover efeito sobre ela. 


Fontes:

DURKHEIM, Émile. Émile Durkheim: sociologia. São Paulo: Editora Ática, 1984. Coleção Grandes Cientistas Sociais. (Capítulos: 1- Divisões da Sociologia: as ciências sociais particulares; 2- O que é fato social?)






sábado, 11 de fevereiro de 2012

Auguste Comte





Descreva os pontos mais importantes do texto "Sociologia - Conceitos Gerais e Surgimento"


Em seu texto, Auguste Comte defende a criação de uma nova ciência, que ele denomina a princípio de Física Social, e posteriormente de Sociologia. Esta ciência estudaria fenômenos sociais buscando por leis naturais que não variassem, possibilitando prever e/ou evitar possíveis crises, pois permitiria uma ação de prevenção. Estes estudos ocorreriam a partir da observação e comparação de ocorrências passadas, assim como é feito na Biologia, para determinar as leis naturais.
De acordo com esta ciência, Comte defende que a ordem e o acordo só ocorrerem quando os fenômenos obedecem tais leis.
Ele diz que o positivismo recebeu significativa contribuição de grandes pensadores como Bacon, Galileu e Descartes e com eles nasceram as ciências naturais: astronomia, física, química e fisiologia. Estas ciências passaram a fazer parte do dia-a-dia a partir do momento que começaram a fazer parte também da educação comum. E, segundo Comte, tende a influenciar também a Filosofia e a Moral, já que a teologia e a metafísica passaram a perder um pouco de sua influência sobre os positivistas.
Para Comte, a ciência social ainda não havia sido explorada, pois é o conjunto de todas as outras ciências naturais, que deveriam estar plenamente estabelecidas, e também dependia de uma ordem social (como grande número populacional e nações). Esta ciência seria fundada a partir da observação e análise do passado social e como resultado poderia determinar possíveis movimentações futuras. Este estudo seria universal.
O principal objetivo deste da Sociologia seria promover a ordem, que conduziria a sociedade ao estado definitivo e mais conveniente.


Quem é Auguste Comte?


      Isidore Auguste Marie François Xavier Comte nasceu dia 19 de janeiro de 1798, e faleceu em 5 de setembro de 1857, em Paris. Foi um filósofo e se autoproclamou líder religioso. É considerado o pai da Sociologia e a estabeleceu de uma forma sistemática.
Atuou como secretário do Conde Henri de Saint-Simon, o primeiro filósofo a ver a importância da organização econômica na sociedade, de quem Comte absorveu várias ideias. Porém, alguns anos depois, os dois se desentenderam devido à autoria legítima de textos que Comte havia escrito e iria publicar e também por divergências em paradigmas religiosos de projetos de Saint-Simon.
Após se afastar de Saint-Simon, Comte deu início a elaboração de sua filosofia positiva (ou positivismo). Como não havia outra forma de expor suas ideias, passou a oferecer cursos particulares que, por motivos de saúde, tiveram de ser interrompidas após lecionar apenas três aulas. Foi internado por problemas psicológicos e assim que saiu do hospital voltou a lecionar.
Após dois anos, começou a escrever sua obra Cours de Philosophie Positive, que levou 12 anos para ser concluída.
Comte sofreu muitas críticas do mundo científico pelo fato de querer agregar ao seu sistema todas as ciências.
Lentamente, Comte começou a conquistar discípulos e sua doutrina positiva passou a ganhar força na Inglaterra.
Sua próxima obra a ser escrita foi Système de Politique Positive, que ia contra a doutrina da disciplina eclesiástica de Saint-Simon, e Comte criou a “Religião da Humanidade” – na qual eram consideradas a teologia e a metafísica. Também defendeu a emoção sobre o intelecto (devido a uma grande paixão por Clotilde de Vaux, que havia falecido devido a Tuberculose). Estes pensamentos fizeram com que ele perdesse diversos seguidores racionalistas.
Fundou a Societé Positiviste, na qual uniu alguns seguidores que se comprometeram a espalhar sua mensagem. Esta propagação das ideias de Comte se estendeu pela Espanha, Inglaterra, Estados Unidos e Holanda.
O grupo realizava reuniões regulares e seus princípios eram “amor, ordem e progresso”. Eles pregavam as virtudes do amor, da submissão e a necessidade de ordem para o progresso social.


Qual a importância de seu pensamento?


      Sociedades de diversos países foram influenciadas por algumas ideias que Comte defendia como, por exemplo, a defesa a liberdade de expressão que tomou lugar em diversas constituições, a inclusão do método científico para a organização da sociedade, a busca pelo progresso, etc.
      Um grande exemplo disso seria a bandeira do Brasil, que carrega um dos pensamentos de Comte: "Ordem e Progresso".


Quais as suas principais ideias?


Uma das principais ideias de Comte recebe o nome de “Lei dos Três Estados”, na qual ele explica sobre os estágios de evolução das concepções do homem com relação às ideias e a realidade:
       - Teológico: o homem explica o que acontece a partir de crenças em entidades sobrenaturais, buscando responder perguntas do tipo “de onde viemos?”;
- Metafísico: é um misto de teologia e positividade. Entidades sobrenaturais dão lugar a abstratas, como o povo, ou o mercado financeiro. Neste momento, procuram responder as mesmas perguntas do estado teológico além de buscaram a razão e o destino das coisas;
      - Positivo: é a etapa finalizadora, na qual não se questiona mais o “porquê”, mas sim como. Isso é realizado a partir da descoberta e do estudo das leis naturais, analisando-se a sucessão e a coexistência. Consideram aquilo que podem observar e é concreto.


O que é positivismo?

Positivismo é uma corrente filosófica que defende que o conhecimento científico é a única forma de adquirir o conhecimento verdadeiro, que deve ser verificado por métodos científicos válidos como, por exemplo, observação de fenômenos.
Eles buscavam explicar coisas mais práticas, que estivessem presentes do cotidiano do homem como as leis, as relações sociais e a ética.
Para os positivistas, o progresso da humanidade depende de tais conhecimentos. 


Discuta a relação entre Ciência Social e Biologia.

Comte relaciona a Sociologia e a Biologia  aos métodos de experimentação das mesmas, que são baseados na indução e filiação gradual (consideração gradual de casos análogos).
Para ele, a sociedade deve ser analisada como um organismo assim como se faz na Biologia, porém um organismo social, no qual as partes que constituem a sociedade podem ser comparadas aos membros do corpo humano, analisandoas funções de cada um deles.
Usando o método comparativo da Biologia, seriam analisadas diferentes épocas história ou agrupamentos de pessoas considerando os seguintes aspectos: cada organismo abordado, sexo, fases de desenvolvimento e raças.
A diferença primordial que existe entre ambas as ciência é a forma de experimentação. Na Biologia, ela ocorre de forma direta, já na Sociologia de forma indireta.


Existe uma ciência exata da sociedade?

De acordo com o positivismo de Comte, sim. As ciências sociais também poderiam ser sistematizadas a partir dos princípios adotados como critério de verdade para as ciências exatas e biológicas, podendo ser reduzido a leis gerais como as da física por exemplo.
Comte enfatiza a finalidade que deve ser alcançada pela sociologia, que é o de observar o comportamento social e partir da observação estabelecer padrões que possam servir de parâmetros a sociologia, ou seja, utilizar esses parâmetros para análise tanto do passado, do presente e prever as consequências futuras na sociedade.





Fontes:
http://www.cobra.pages.nom.br/fcp-comte.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Positivismo#M.C3.A9todo_do_Positivismo_de_Augusto_Comte

COMTE, Auguste. Auguste Comte: sociologia. São Paulo: Editora Ática, 1978. Coleção Grandes Cientistas Sociais. (Capítulo: Sociologia - Conceitos Gerais e Surgimento)